Se para crescer a
gente não precisasse errar, talvez eu nunca tivesse acreditado naquela amiga
que jurou que não ia me magoar e magoou. Talvez eu não tivesse magoado gente
que amava muito, mesmo quando essa não era a intenção. Mas provavelmente,
também, eu não teria aprendido a valorizar quem fica, não teria entendido a
importância de perdoar as falhas das pessoas e de pensar mil vezes antes de
falar algo que pode atingir o outro.
Se para crescer não precisasse
doer, talvez eu nunca tivesse conhecido aquele carinha que me tratou como uma
qualquer. Talvez nunca tivesse virado noites inteiras chorando amores não
correspondidos. Nem feridas que fizeram sem o menor cuidado no meu peito. Mas
eu também não teria, finalmente, parado de dar atenção para os mesmos tipinhos
de caras errados e começado a prestar atenção naqueles que sempre estiveram
aqui para me dar a mão.
Se para amadurecer a
gente não precisasse quebrar a cara, talvez eu ainda fosse a menina escandalosa
que adorava uma boa briga e que gostava de bater de frente apenas pelo prazer
de ganhar – sabe-se lá o quê. Se eu não tivesse caído, se não tivesse levado
rasteiras, se não tivesse dado de cara no chão, talvez eu ainda vivesse na
minha bolha da adolescência, quando achava que os meus problemas eram os
maiores do mundo. E que o mundo, esse malvado, era injusto só comigo.
Se eu tivesse acertado sempre,
talvez eu não soubesse da alegria que é a oportunidade de poder se reinventar.
Aprender mais. Mudar de opinião, entender os valores das outras pessoas,
conhecer outras realidades, perceber que se dói em mim, dói no outro também.
Talvez eu nunca tivesse ido, voltado, começado e recomeçado. Talvez eu não
tivesse baixado a bola, diminuído o tom, começado a silenciar. Talvez eu nunca
tivesse aprendido. Talvez, até, sequer tivesse crescido.
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